Sexta-feira, 19 de Agosto de 2016

(Des) Informação!

 

 

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Comecei a minha atividade profissional de comerciante de ourivesaria e perito avaliador no seio da minha família onde a profissão era encarada com muita responsabilidade e sentido ético.

O meu avô, pai, tios e demais colaboradores sempre mostraram muito interesse em aprender, conhecer muito desta arte e partilhar os conhecimentos com todo o grupo de trabalho, de forma a transmitirem uma postura de saber e confiança aos seus clientes.

Esta postura foi padrão durante muitas décadas no nosso país e em todas as ourivesarias, o comerciante de ourivesaria era um profissional respeitado que deveria mostrar confiança, competência e ética profissional.

Quem não se lembra que nas muitas e nas mais emblemáticas ourivesarias nacionais os seus proprietários e colaboradores eram pessoas conhecedoras da sua arte, muitos deles autênticos artistas no desenho e conceção de joias, na classificação de gemas e na peritagem e avaliação das mais antigas e complexas peças de arte.

Que saudades eu tenho desse tempo, eram muitos os especialistas que falavam de ourivesaria com paixão, competência e onde se "respirava" num ambiente de sabedoria.

Desde muito jovem tive oportunidade de assistir a tertúlias com ourives, joalheiros, antiquários, investidores e colecionadores onde calado e atento muito aprendi.

Com o decorrer dos anos estas personalidades foram desaparecendo e infelizmente não houve a sua renovação, apesar de hoje a informação e o conhecimento estarem mais disponíveis e acessíveis.

Recentemente foi-me solicitado a peritagem de um anel comprado numa prestigiada Ourivesaria do Norte de Portugal, pois existia a dúvida por parte do comprador da qualidade do seu metal. Este quis presentear a sua esposa com um anel de platina com diamantes lapidação brilhante, mas surgindo a dúvida entendeu consultar várias ourivesarias da cidade do Porto para então validar a qualidade do mesmo.

Em minha opinião deveria ter-se deslocado a Contrastaria do Porto e teria evitado toda esta desinformação.

Ficou bastante surpreendido e desiludido pois nos três comerciantes de ourivesaria que visitou, foi-lhe dito o mesmo escrutínio, o anel não era de platina mas sim de ouro branco.

Quando analiso o anel e depois de uma breve e simples visualização com uma lupa pude tranquiliza-lo, pois o punção da casa da moeda aplicado no anel era a "Cabeça de Papagaio p/esq. com a inscrição 950", punção utilizado nos artefactos de platina com a qualidade de 0,950.

Ao receber o meu parecer, ficou mais tranquilo e penso que voltou a recuperar a confiança na ourivesaria onde tinha comprado o anel.

Mesmo assim e para lhe esclarecer todas as duvidas aconselhei-o a solicitar um pedido de informação de marca e metal junto da Contrastaria do Porto.

Infelizmente, permitam-me concluir e que apesar dos muitos cursos de peritos/avaliadores que a Casa da Moeda tem vindo a realizar recentemente, são muito poucos os conhecimentos, a experiência, a cultura e a ética comercial por parte de alguns dos atuais comerciantes de ourivesaria e peritos avaliadores.

Fazem peritagens e emitem opiniões de uma forma fácil, sem qualquer conhecimento e rigor cientifico, falam com muitas certezas do que nada ou pouco sabem pondo em causa a honestidade e competência de colegas de profissão com décadas de experiência e provas dadas de competência, saber e honestidade.

 Recomendo mais conhecimento, humildade e vontade de aprender a todos aqueles que se estão a iniciar na profissão de comerciante de ourivesaria e de perito avaliador e também mais moderação nas afirmações e certezas que julgam ter.

 Sou também da opinião que os cursos ministrados pela Casa da Moeda de perito avaliador necessitam urgentemente de uma reformulação pois os conhecimentos e módulos lecionados são insuficientes para preparar peritos capazes de desempenharam a sua função com segurança, competência, profissionalismo e ética profissional.

 O mercado procura neste sector essencialmente confiança nas empresas, na cultura e no conhecimento das pessoas que nele trabalham.

Para esse efeito devemos diariamente através dos nossos atos, dos nossos conselhos, da nossa postura construir uma imagem de confiança.

Atualmente e felizmente ainda existem muito bons profissionais em que o mercado deposita confiança, consequência de anos de experiência, muito estudo e investigação, preocupação com as alterações constantes do sector e gosto e paixão pela profissão.

Desempenhar a atividade de comerciante de ourivesaria e perito avaliador com competência, requer muito mais que um simples diploma.

 

 

publicado por Carlos Tavares às 09:37
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Sexta-feira, 12 de Junho de 2015

Replicas perfeitas!

 

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A descoberta de jazidas de pedras preciosas no Brasil (Século XVIII), mais concretamente nas regiões da Minas Gerais, Bahia e Mato Grosso, veio permitir um aumento da quantidade de diamantes e outras pedras de cor, a preços mais baixos, disponíveis para o fabrico de jóias.

Muitos foram os que desbravaram terreno na procura de fortuna acabando, também, por encontrar pedras preciosas até ai desconhecidas tornando as jóias da época muito mais criativas com a utilização de pedras de cor como água marinha, espinela, cristal de rocha, granada, e outras.

Estas novas pedras preciosas associadas ao aparecimento de uma nova clientela -  uma nova burguesia fluorescente e ansiosa em mostrar-se - foram factores fundamentais para que se criassem um elevado número jóias em ouro e prata com pedras preciosas.

Foi uma época importante da joalharia "Luso-Brasileira".Criativa com formas e técnicas inovadoras (novas lapidações) e com pedras preciosas nunca utilizadas até então, tais como as famosas "Minas Novas" (topázios, cristal de rocha, crisólita, crisoberilo, ...).

Chegaram até à actualidade muitas dessas jóias tão apreciadas e que atingem preços surpreendentes nos mercados de jóias de segunda mão assim como em leilões de leiloeiras conceituadas.

Com o chegar do século XX foram muitos os ourives joalheiros que se inspiram nestas jóias únicas e  executaram muitos alfinetes, pares de brincos, anéis e muitos mais adereços usando desenhos e formas do século XVIII e XIX mas com pedras imitações (produtos artificiais que pelo seu aspecto, cor, ou efeito especial simulam determinadas gemas,vidro plástico e resina, ...) com objectivos por vezes mal intencionados, como fazer passar jóias de produção recente por jóias com mais de 200 anos.

Na imagem podemos ver um exemplo de um alfinete em prata cravado com imitações (vidros) fabricado no século XX que pretende simular um alfinete com "Minas Novas" da época rica da joalharia "Luso-Brasileira".

Uma bonita jóia de fabrico recente que não pode ser valorizada como uma antiguidade.

publicado por Carlos Tavares às 18:43
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Sábado, 30 de Maio de 2015

Um grande exemplar!

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Desde o século XVI que o valor dos diamantes era obtido com base em determindas características como a pureza, a cor e o peso, referindo-se até como de "primeira água" os de melhor qualidade.

Atualmente um diamante é classificado com base nos "4Cs", Caract (quilate como unidade de peso), Colour (cor), Clarity (pureza) e Cut (talha) que, depois de devidamente identificados, permitam classificar e atribuir o seu verdadeiro valor.

Recentemente tive a oportunidade de observar um grande exemplar de diamante com lapidação brilhante com proporções e polimento excelente, com o peso de 4,01 ct.

Apesar de montado num anel de ouro branco tinha uma cor ligeiramente acentuada (M na escala de cor), era possuídor de uma pureza VS2 e estava certificado pelo Instituto de Gemologia HRD.

Como o valor de um objeto é aquilo que o mercado está disposto pagar por ele e apesar de termos referencias através do Rapaport Weekly Report (relatório semanal dos mercados mundiais de jóias e diamantes), qual o valor que deverei atribuir a esta jóia?

 

 

publicado por Carlos Tavares às 12:33
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