Terça-feira, 4 de Fevereiro de 2014

Em nove meses fecharam quase dois terços das lojas de ouro

 

Entre abril e dezembro de 2013 encerraram cerca de 63% das lojas existentes no mercado português, revela um estudo da Golden Broker agora divulgado.

A descida abrupta da cotação em cerca de 25% - de 1600 dólares por onça (31 gramas) para 1200 dólares/onça - entre março e junho de 2013, acompanhada pelo aumento da concorrência, estão, segundo a mesma fonte, entre os principais fatores que determinaram o fecho deste tipo de lojas de forma massiva.

Seis anos decorridos do início da crise económica, os portugueses "recorrem cada vez menos à venda de ouro nas lojas de rua como consequência de adaptação à crise e à necessidade de cada vez mais consumir menos", explica João Pinto, trader da Golden Broker.

A compra e venda de ouro, em Portugal, foi um negócio que registou um boom desde 2008 com a entrada da crise financeira, no entanto, poderá ter os dias contados, conclui aquele analista.



Ler mais: http://expresso.sapo.pt/em-nove-meses-fecharam-quase-dois-tercos-das-lojas-de-ouro=f853381#ixzz2sNM96LNz

 

Publicado no Jornal Expresso em 30 de janeiro de 2014

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publicado por Carlos Tavares às 17:31
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Segunda-feira, 10 de Junho de 2013

Ouro o rei dos metais

 

Aqui fica a minha apresentação na abertura da exposição "Marcas Poveiras" dedicada à ourivesaria.

 

“Ouro o rei dos metais”

 

Desde os tempos mais remotos, o ouro terá sido o primeiro dos metais conhecidos a ser usado pelo Homem.

As suas qualidades e a sua raridade são os principais motivos para a sua procura, a vontade de o possuir, de o ostentar, tornando-o símbolo de poder e alvo de cobiça.

Com um brilho muito característico, metálico que reflecte a luz, de cor amarela singular, não vulnerável aos ácidos, muito maleável, dúctil (capaz de ser reduzido a fios muito finos), muito denso, fazem dele um metal muito procurado.

Com um papel muito importante na sociedade, o Homem desde sempre lutou pela sua posse, traiu, vingou, matou mas também amou.

Foi escolhido para coroar os soberanos, para dourar os deuses e os santos e selar promessas de amor.

Desde o império romano até à actualidade muitos foram os imperadores, reis e soberanos que cunharam moedas em ouro.

Fizeram-no com a intenção de perpetuar o seu reinado para além da morte, ostentar poder e riqueza e ter uma moeda respeitada para as transações comerciais.

 

A descoberta das jazidas de ouro no Brasil permitiu a cunhagem das mais belas  e maiores moedas de ouro da monarquia portuguesa.

Chegaram até nós muitas das moedas cunhadas nos reinados de D. João V e D. José, muito apreciadas e procuradas por coleccionadores como os dobrões, meios dobrões, dobras, peças e meias peças e muitas mais.

 

O ouro está sempre presente nas épocas festivas, para celebrar nascimentos, aniversários, casamentos, festas religiosas, também foi conotado com propriedades mágicas, curas milagrosas e superstições populares.

Sempre foi um símbolo de riqueza e ostentação e servia para uma família mostrar o seu poder na sua comunidade.

Nas festas e romarias populares as mulheres usavam para demonstrar os seus dotes e fortuna familiar.

 

O Homem escolheu o ouro para criar diversos objetos de ornamentação de uso quotidiano, assim como de manifestação artística.

Raras são as mulheres que não usam brincos em ouro diariamente, símbolo também de adorno, estabilidade económica e feminilidade.

Com a vontade de possuir objetos em ouro, assim se formaram e armazenaram autênticos tesouros em muitas famílias.

Um hábito muito comum nas famílias tradicionais portuguesas consistia em investir em peças de ouro, tais como cordões, arrecadas, alianças, anéis e libras que em momentos de desespero financeiro, vendiam ou penhoravam parte desse ouro, recorrendo às ourivesarias ou aos prestamistas.

 

Actualmente, um pouco por todo o país abrem pequenas lojas e escritórios de supostamente comerciantes oportunistas e sem escrúpulos que tentam chamar até si todos aqueles que estão em dificuldades financeiras, prometendo a compra dos objetos de ouro a preços elevados.

Tem surgido por todo lado muitas empresas de compra de objetos de ouro, apareceram como cogumelos em dia de humidade e normalmente são dirigidas por pessoas mal preparadas e sem qualquer habilitação técnica para efectuarem uma avaliação com responsabilidade e rigor exigido.

Negócio de oportunidade, com base na ignorância de quem vende e que assenta em critérios muito pouco objectivos e validados por aparelhos de precisão nada rigorosos.

Devido a uma onda crescente de insegurança e associado à cotação do ouro batendo máximos históricos, muitas famílias portuguesas em situação difícil aproveitam estes momentos para vender os seus objetos de ouro e jóias.

Estas empresas compram tudo que lhes aparece pela frente, pagando aos clientes (vítimas) o preço definido por uma tabela que está muito aquém do verdadeiro valor das peças.

Compram moedas a peso, sem valorizar o seu estado de conservação, raridade ou valor numismático, compram peças de joalharia sem atribuir qualquer valor às pedras preciosas que nelas estão incrustadas, compram objetos manufacturados no séc. XVII ao mesmo preço que uma jóia fabricada de uma forma industrial no século XX, compram tudo sem qualquer rigor ou cuidado na valorização das peças, sendo o seu destino a fundição.

 

Diariamente são fundidos em fornos industriais grandes quantidades de objetos de ourivesaria, desde simples alianças, malhas vulgares e até jóias de rara beleza com manufacturarão delicada e precisa.

Em poucos minutos aquilo que demorou muitas horas a criar, a fabricar e se manteve nas famílias de geração em geração, é destruído pelo calor.

Peças de valor histórico e arqueológico, dignas de colecção, testemunhos de épocas ricas da ourivesaria portuguesa, trabalhos de importantes artesãos e industriais, moedas, símbolos do nosso passado, muitos testemunhos de histórias de famílias e reinados têm o mesmo infeliz destino.

Não estarão estas empresas a atentar contra o património da ourivesaria portuguesa?

Que testemunhos ficarão para o futuro dos belos e delicados trabalhos de filigrana do século XIX de Póvoa de Lanhoso ou Gondomar?

Quase nada, somente o que resta em algumas colecções particulares muitos bem guardados nas caixas fortes ou em alguns poucos museus.

Uma situação semelhante a esta, passou-se no início do século XIX, quando as tropas napoleónicas entraram em terras portuguesas, saquearam e destruíram muito do nosso património, na altura também fundiram as pratas civis e religiosas das igrejas, derreteram moedas de ouro e prata, com o fim de financiar a invasão ao território  português.

São muito poucos os objetos de ourivesaria desse período que chegaram até aos tempos atuais.

Esse é um dos motivos pelo qual estas peças são ou deveriam ser valorizadas, pela sua raridade.

Considero esta destruição maciça de objetos de ourivesaria um atentado ao nosso património, é como se destruíssemos os quadros da ilustre pintora Vieira da Silva aproveitando as molduras para fazer lenha, ou as esculturas do mestre Cutileiro usando o seu granito ou a mármore para fazer soleiras das portas.

 

Estes grandes e pequenos tesouros familiares depois de fundidos e convertidos em euros serviram para liquidar dívidas, pagar propinas e livros escolares dos filhos, contribuir para o pagamento das prestações do carro e da casa, pagar contas da luz e água e também alguns gastos supérfluos.

Milhares de quilogramas de ouro foram vendidos e derretidos nestes últimos anos que foram convertidos em milhões de euros novamente introduzidos na economia nacional, e porque não dizer, mundial.

 

Muitas toneladas de ouro foram exportadas em forma de barra sem qualquer valor acrescentado pelos ourives nacionais enriquecendo somente os intermediários envolvidos no negócio.

Um prejuízo para o país pois ficamos sem o ouro, sem qualquer beneficio para o sector de ourivesaria e receitas fiscais.

 

Porém, atento a este novo fenómeno, não posso de deixar de partilhar aqui a minha experiência no ramo assim como deixar alguns conselhos a todos aqueles que porventura pretendem vender o seu aforro em ouro.

 

Se pretende vender o seu ouro, deve procurar várias opiniões, começando pela ourivesaria onde habitualmente são clientes.

A avaliação deve ser feita na vossa presença, e a pesagem deve ser efectuada em balança própria e certificada pela Direcção Geral de Economia.

 

Depois, e se for caso disso, devem consultar um perito (Avaliador Oficial da Casa da Moeda) ou ainda um perito em arte e antiguidades no caso de se tratar de uma peça que julguem ter alguma valor histórico.

 

Entre as várias opiniões e ofertas deveram escolher a que for mais favorável e que porventura pode ser aquela que pagar mais pelos seus objetos.

 

No caso de concretizar a venda, solicitem sempre uma cópia do documento de venda onde deverá constar a descrição dos bens que foram vendidos, assim como o seu peso e valor atribuído, a respectiva identificação da empresa a quem vendeu assim como o respectiva quitação do pagamento.

 

Se pretendem uma melhor oferta e se os objetos em causa têm algum interesse adicional pela sua antiguidade, raridade, interesse histórico, ou outro, poderão recorrer a empresas leiloeiras e esperar que num mercado mais abrangente as ofertas possam ser mais e melhores.

Este tipo de empresas cobra comissões pelo serviço de colocação em leilão e essas taxas deverão ficar acordadas e contratualizadas antes do leilão para evitar algumas surpresas.

Por último, não posso deixar de alertar para muitas das publicidades enganosas com ofertas de preços de compra por grama de ouro muito acima do valor dos mercados mundiais e que estas propostas só têm um objectivo…

Cuidado: Quando a esmola é grande, o Santo desconfia!

 

A entrada no século XXI marcou um período de ouro para... o ouro.

O ano 2000 terminou com o registo de uma desvalorização de 5,47%, mas desde então, o ouro só conhece o caminho da subida.

 

Na última sessão de 2000 a cotação ficou em 273 dólares a onça, tendo atingido no final de 2010 os 1.390 dólares ou seja, numa década, o preço do ouro nos mercados mundiais quintuplicou.

 

A maior valorização anual foi registada em 2007 quando o ouro subiu 31% e em 2010 terminou pelo segundo ano consecutivo com uma valorização anual na casa dos 20%, num ano de fortes subidas nas cotações de muitas matérias-primas e atingiu o valor recorde de 1.900 dólares por onça em Agosto de 2011.


São muitos os factores que actualmente estimulam a subida do seu valor.

 

A Europa continua por resolver os seus problemas com as dívidas soberanas o que cria enorme instabilidade nos mercados, levando os investidores a procurar outras investimentos mais estáveis.

 

Com as taxas de juro em mínimos históricos e segundo o World Gold Council os bancos centrais de todo o mundo estão a reforçar as suas reservas de ouro como há muito não o faziam e também a procura de ouro pela China e pela Índia tem sido cada vez maior levando a uma procura extraordinária deste metal precioso.

 

Haverá certamente muitas mais causas que explicam estas fortes subidas do valor do ouro mas estas tem sido certamente as mais determinantes.

 

As reservas de ouro do Banco de Portugal são cerca de 382,5 toneladas (em 1974 tínhamos 865 toneladas) são actualmente as décimas quartas maiores do mundo. Valiam no final de dezembro ultimo, 15.509 milhões de euros, mais 545 milhões de euros do que no final de 2011.

 

Contudo, se o ouro pudesse ser usado directamente no financiamento do Estado Português, teria um impacto relativamente reduzido.  As reservas de ouro valem pouco mais de um quinto do programa de assistência financeira acordado com a ‘troika’ e pouco mais do que o Governo tenciona gastar este ano em despesas com pessoal da administração pública.

 

No inicio do mês assistimos à queda da cotação, isto ficou a dever-se à notícia de que o Chipre poderia vender parte das suas reservas para financiar o resgate e também algumas instituições financeiras terão recomendado aos seus clientes a venda da matéria-prima.

Desde o início do ano o ouro já teve mais de 16% de desvalorização acumulada, sendo que no espaço de duas sessões recuou mais de 100 dólares por onça.

 

O ouro esteve a ganhar terreno durante 12 anos consecutivos, estando este ano a quebrar o recorde conseguido à conta do estatuto de valor refúgio que lhe tem sido associado quando os investidores procuram alternativas ao mercado accionista, obrigacionista e cambial.

 

Olhando para o futuro é provável que o ouro continue a valorizar, na medida em que os investidores continuam receosos e a mostrar pouca confiança numa recuperação económica, motivos que os deverão fazer continuar a apostar em ativos alternativos, sendo o ouro o preferido.

 

Quando actualmente e devido a instabilidade económica que se vive no mundo muitas vezes nos questionamos sobre o futuro do Euro ou a sustentabilidade do Dólar só podemos ter uma certeza: nos próximos meses, anos ou décadas o ouro é e continuará a será o rei dos metais.

 

Fontes :

World Gold Council

Banco de Portugal

Lusa

publicado por Carlos Tavares às 16:40
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Quinta-feira, 9 de Maio de 2013

Marcas Poveiras - Ourivesaria

A Camara Municipa da Póvoa de Varzim vai organizar uma mostra de ourivesaria de 24 de Maio a 2 de Junho.

Uma exposição de uma actividade enconómica do concelho com tantas tradições e um passado rico de excelentes oficinas, artesãos e empresas comerciais.

Bem hajam pela iniciativa.

publicado por Carlos Tavares às 16:26
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Domingo, 17 de Fevereiro de 2013

Quer vender o seu ouro? Saiba os cuidados a ter.

publicado por Carlos Tavares às 19:56
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Sexta-feira, 28 de Setembro de 2012

Reservas de ouro do Banco de Portugal valorizam 13% desde o início do ano

 

 

O ouro continua a brilhar nos mercados internacionais e, consequentemente, a valorizar as reservas deste metal precioso detidas pelos países. Portugal não é exceção. Face ao preço atual, as reservas de ouro detidas pelo Banco de Portugal estão hoje avaliadas em 16,8 mil milhões de euros.

As contas são simples de se fazer. Portugal detém quase 383 toneladas de ouro que, face à cotação atual do metal precioso, de 1.757,6 dólares a onça 'troy', equivalem a um montante de 16,82 mil milhões de euros.

Fazendo a análise desde o arranque do ano, Portugal viu o valor das suas reservas de ouro valorizarem em 13,1%, ou 1,95 mil milhões, já que no final de 2011 os stocks estavam avaliadas em 14,87 mil milhões de euros.

De acordo com os dados mais recentes do World Gold Council, relativos a setembro, Portugal está no top 15 dos países do mundo com mais reservas de ouro. Segundo aquele organismo, Portugal está na 14ª posição.

O Banco de Portugal não compra nem vende ouro desde o terceiro trimestre de 2006. As últimas vendas ocorrem em 2003 e 2006 ao abrigo de um acordo com outros bancos centrais, que limita as vendas deste ativo.

Ouro caminha para o melhor trimestre em mais de dois anos

O ouro valorizou hoje pela primeira vez em quatro dias, mantendo a toada positiva que tem vindo a registar neste terceiro trimestre que, a continuar assim, poderá ser o melhor em mais de dois anos.

Na base do brilho do metal precioso estão os estímulos anunciadas pelos bancos centrais mundiais para fomentar o crescimento económico, bem como as greves nas minas de ouro que se verificaram na África do Sul.
Deste modo, o ouro segue a valorizar para os 1,760 dólares a onça 'troy'. Desde o final de junho que o metal acumula ganhos de 10%, o saldo mais positivo a nível trimestral desde os três meses terminados em junho de 2010

 

in 27/09/2012 | 11:52 | Dinheiro Vivo

publicado por Carlos Tavares às 12:45
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Domingo, 16 de Setembro de 2012

Libra em ouro ou Soberano

Desde o império romano atè à actualidade muitos foram os imperadores, reis e soberanos que cunharam moedas em ouro.

Fizeram-no com a intenção de perpetuar o seu reinado para além da morte, ostentar poder e riqueza e ter uma moeda respeitada para as transações comerciais.

Os reis portugueses D. João V e D. José foram responsáveis pela cunhagem de uma grande quantidade de moedas de ouro da monarquia portuguesa.

Napoleão e o império austro-húngaro também cunharam muitas moedas em ouro, ainda hoje muito apreciadas e procuradas pelos coleccionadores e investidores.

Mas o grande destaque vai, sem dúvida, para o Reino Unido, que cunhou até aos nossos dias a famosa Libra ou Soberano .

Cada moeda tem 7,937 g de peso bruto, com 91,67% (22 Kt) de teor de ouro puro, o que se traduz em 7,2 g de ouro puro.

Milhares de toneladas de ouro foram transformadas em libras desde 1817 e espalhadas pelo mundo inteiro pela comunidade inglesa nas transações comerciais com outros povos.

A sua introdução no nosso país deve-se a vários factores, entre eles, a excelente relação comercial que sempre tivemos com os ingleses, sendo de realçar os comerciantes e produtores de vinho do Porto, assim como, o comércio de carne de gado bovino e ainda, com a construção da linha de caminho de ferro por companhias inglesas.

Estes factos fizeram com que esta moeda circulasse no nosso território como moeda de troca, sendo também um objeto de aforro.

Normalmente estas moedas apresentam a efígie da Rainha Vitória (1837/1901) pois esta soberana reinou durante um longo período.

Muitas são as histórias que chegam aos nossos dias relatando factos de comerciantes, industriais e lavradores abastados que possuíam grandes quantidades destas moedas nas suas fortunas pessoais.

Estes factos fizeram também  com que muitas mulheres utilizassem a libra como objeto de adorno, sendo uma forma de ostentar poder e riqueza na sociedade de época.

Muitos foram os objetos feitos nas nossas oficinas de ourivesaria onde a libra foi utilizada, sendo a mais popular a guarnição orlada de fantasias e os vulgares brincos, mas também botões de punho, alfinetes, berloques para correntes de relógio, entre outras.

É também tradição, padrinhos e avós oferecerem libras às crianças no seu batizado, para dar inicio ao seu "tesouro".

Atualmente e sendo este um momento de grande instabilidade das economias mundiais, muitos são os investidores que reforçam os seus investimentos comprando esta tão apreciada e respeitada moeda.

A longevidade desta moeda deve-se ao facto de ter sido um valor seguro e um investimento altamente rentável acompanhando as oscilações do ouro nos mercados mundiais.

publicado por Carlos Tavares às 20:05
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Domingo, 29 de Julho de 2012

Cuidados a ter na venda do seu Ouro


Um hábito muito comum nas famílias tradicionais portuguesas consistia em investir em peças de ouro, tais como cordões, arrecadas, alianças e libras.

Em momentos de desespero financeiro, vendiam ou penhoravam parte desse ouro, recorrendo às ourivesarias ou aos prestamistas.

 

Nos últimos anos têm proliferado no nosso país, empresas que oferecem grandes facilidades a todos os que pretendem vender ou penhorar os seus bens em ouro.

Estas empresas proliferaram por todo o pais como cogumelos em dias de humidade e constituem mais uma alternativa na venda do ouro pessoal.

 

Porém, atento a este novo fenómeno, não posso de deixar de partilhar aqui a minha experiência no ramo assim como deixar alguns conselhos a todas aqueles que porventura pretendem vender o seu aforro em ouro.

 

Se pretende vender o seu ouro, deve procurar várias opiniões, começando pela ourivesaria onde habitualmente é cliente.

A avaliação deve ser feita na sua presença, e a pesagem deve ser efetuada em balança própria e certificada pela Direção Geral de Economia.

Depois, e se for caso disso, deve consultar um perito (Avaliador Oficial da Casa da Moeda) ou ainda um perito em arte e antiguidades no caso de se tratar de uma peça que julgue ter alguma valor histórico.

 

Entre as várias opiniões e ofertas deverá escolher a que for mais favorável e que porventura pode ser aquela que pagar mais pelos seus objetos.

 

No caso de concretizar a venda, solicite sempre uma cópia do documento de venda onde deverá constar a descrição dos bens que foram vendidos, assim como o seu peso e valor atribuído, a respetiva identificação da empresa a quem vendeu assim como o respetiva quitação do pagamento.

 

Se pretende uma melhor oferta e se os objetos em causa têm algum interesse adicional pela sua antiguidade, raridade, interesse histórico, ou outro, poderá recorrer a empresas leiloeiras e esperar que num mercado mais abrangente as ofertas possam ser mais e melhores. Este tipo de empresas cobra comissões pelo serviço de colocação em leilão e essas taxas deverão ficar acordadas e contratualizadas antes do leilão para evitar algumas surpresas.

 

Por último, não posso deixar de alertar para muitas das publicidades enganosas com ofertas de preços de compra por grama de ouro muito acima do valor dos mercados mundiais e que estas propostas só têm um objetivo…

 

Cuidado: Quando a esmola é grande, o Santo desconfia!

publicado por Carlos Tavares às 22:02
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Domingo, 13 de Maio de 2012

Património em perigo

Portugal está a derreter parte da sua história da joalharia

Por Cláudia Carvalho no Jornal "Público de 21 de Abril de 2012

 

Do século XVII ao século XX, independentemente da história ou do autor, o destino das peças nas lojas de ouro é o forno, onde são derretidas e transformadas em lingotes.

 

Joalharia e peças de ouro e prata com valor histórico e artístico estão a ser derretidas pelas lojas de compra e venda de ouro, que só estão interessadas no valor do metal. Aí, um anel do século XIX, todo trabalhado à mão, terá o mesmo destino que uma aliança fabricada em massa nos dias de hoje e aquilo que fará diferenciar o seu valor será apenas o peso do metal. Uma realidade que é cada vez mais nítida, devido à crise financeira e à procura de dinheiro rápido, mas que também é difícil de se contar em números e em exemplos. O mercado é grande e complexo e ninguém quer falar e ficar com o peso da responsabilidade da destruição de parte do património cultural português.

João Fernandes, da Fénix Gold, uma empresa de franchising de transacção de metais preciosos e artefactos de ourivesaria, garante que não só têm aparecido peças "com valor artístico mais interessante" como também são "cada vez mais". "Muito antigas e com contrastes interessantes de 1911, 1905", diz ao PÚBLICO, via email, explicando que, apesar dessas características, o máximo que se pode fazer é alertar o cliente para a peça que tem e pagar um pouco mais. Mas avisa: "Têm o mesmo destino", ou seja, vão para o forno com as peças de baixo valor e são derretidas.

"O que vale é a pureza do metal e o peso. É isso que dá o valor da peça, não o facto de ser uma peça artística, não temos mercado para isso", garante Alberto Sampaio, director da Ourinveste, a segunda maior rede de franchising, explicando que, apesar de tudo, não têm aparecido peças históricas. Mas não esconde o cenário nas pratas. "Vemos peças lindíssimas que são desfeitas e derretidas e têm valor histórico".

"Nesta altura de crise este é um cenário real e acontece muito", conta Nuno Vassalo e Silva, director adjunto do Museu Calouste Gulbenkian, em Lisboa, e especialista na área da ourivesaria, que, apesar de admitir não conhecer o funcionamento destas lojas, se mostra preocupado com tudo o que se poderá estar a perder. "Temo que peças importantes de joalharia, principalmente joalharia popular portuguesa, estejam a ser vendidas nestas lojas", afirma Vassalo e Silva, para quem o mais assustador é "não se saber realmente o que se está a comprar".

Esta é uma situação para a qual Carlos Tavares, avaliador da Casa da Moeda, tem vindo a alertar nos últimos três anos, garantindo que já muito se perdeu. O avaliador fala até de um "atentado ao património da ourivesaria portuguesa" e dá exemplos. "Nestas lojas há de tudo. Estão a ser destruídas peças do séc. XVIII, XIX e XX. Até relógios de bolso já estão a ser derretidos. Não falando nas pratas", diz ao PÚBLICO Carlos Tavares, afirmando que "trabalhos riquíssimos, meses de trabalho de artistas que já não estão cá, vão para o forno, perdendo-se o testemunho do que foi a nossa ourivesaria".

Mas se estas peças têm um valor histórico ou patrimonial importante, que as torna mais valiosas, porque estão a ser vendidas desta forma? Não é difícil de perceber, no contexto actual da crise. Sem dinheiro para fazer face às dívidas, as pessoas socorrerem-se daquilo que têm em casa e que pode ser vendido, e se há alguma coisa que tem valor garantido é o ouro ou a prata. E a verdade é que em Portugal ainda existe muito. "Portugal foi sempre um grande consumidor de ouro", explica Gonçalo Vasconcelos e Sousa, professor catedrático da Escola das Artes da Universidade Católica Portuguesa e autor de várias publicações sobre joalharia. Não fala Vasconcelos e Sousa apenas na tradição de comprar e oferecer ouro, que tende a passar de geração em geração, como também da tradição artística portuguesa. "No século XIX há um conjunto de correntes estéticas, nomeadamente de revivalismos, muito interessantes. E há peças que vêm com estojos de época, que os contextualizam e os fazem aumentar de valor. Já no século XX podemos ter peças Arte Nova e, nos anos 20 e 30, objectos Art Déco, alguns deles muito curiosos".

Peças que, na sua maioria, se chegassem às leiloeiras ou aos antiquários, poderiam garantir ao seu proprietário mais dinheiro. "Mas as pessoas não têm capacidade de espera", diz Igor Olho-Azul, sócio da leiloeira Veritas, explicando que levar uma peça à praça demora algum tempo, não sendo certo sequer se será vendida. Entre a avaliação, a publicação em catálogo e o leilão são necessárias algumas semanas, enquanto numa destas lojas o cliente é pago na hora. A diferença é que em leilão "o mercado paga o valor que acha justo pela peça" e nestas lojas o preço é apenas um cálculo matemático. Para Pedro Maria Alvim, um dos administradores da leiloeira Cabral Moncada, "hoje em dia as pessoas têm muita informação e percebem quando têm uma antiguidade. Quando isto não acontece ou é por ignorância ou por aflição", explica o administrador, garantindo que não tem uma "visão muito alarmista" da situação.

A mesma ideia é partilhada por Isabel Silveira Godinho, directora do Palácio Nacional da Ajuda. "Não acredito que quem tem uma jóia do século XVIII e que sabe o que tem em casa vai pô-la a derreter. Agarra nela e vende-a a um antiquário ou em leilão", diz a estudiosa e coleccionadora de jóias, admitindo, no entanto, que a venda destes bens é cada vez maior. "Basta olhar para os catálogos dos últimos leilões."

Também Isabel Lopes da Silva, proprietária de um dos mais emblemáticos antiquários de Lisboa, não vê, para já, motivo de preocupação. "Não serão muitas as peças importantes a serem derretidas. Acho que está a acontecer uma grande limpeza e claro que no meio disto há sempre coisas interessantes, mas não é o grosso", garante.

Com ou sem conhecimento, a analisar pelo número de lojas, que já chegaram até aos locais mais recônditos do país, este é um negócio em crescimento. Gonçalo Vasconcelos e Sousa não têm dúvidas de que está em causa a perda "de uma das artes que mais veementemente têm levado Portugal a um plano de protagonismo na história das artes decorativas no mundo".

publicado por Carlos Tavares às 10:17
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Sábado, 25 de Fevereiro de 2012

Tesouro à casa torna

 

Tesouro da fragata Las Mercedes regressa a Espanha 200 anos depois, esteve 200 anos perdido, mas agora o tesouro de cerca de 600 mil moedas de ouro e prata regressou a casa.

Tinha-se afundado numa batalha em que a fragata espanhola Nuestra Señora de Las Mercedes foi abalroada, ao largo do Algarve.

 

É um tesouro de valor incalculável, 17 toneladas de moedas de ouro e prata que nesta sexta-feira partiram da Florida, nos EUA, a bordo de dois Hércules C-130 com destino a uma base militar próxima de Madrid.

Durante quase dois séculos esteve no fundo do mar, até que uma empresa norte-americana o descobriu. Depois de uma batalha judicial que já se prolongava há cinco anos regressa agora a Espanha. “Missão cumprida”, disse aliviado Jorge Dezcallar, embaixador espanhol nos EUA.

publicado pelo Público




publicado por Carlos Tavares às 11:35
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Domingo, 28 de Agosto de 2011

Foram as jóias e ficaram os dedos.

 

 

 

Durante este mês de agosto, foram constantes o bater de recordes na cotação do ouro nas várias bolsas mundiais. Iniciou este período à cotação de 1750 dólares/onça, chegando a um máximo histórico de 1900 dólares/onça e dizem vários  analistas, com tendência para continuar a subir.

 

Paralelamente a este fenómeno, têm surgido por todo o país, uma oferta muito grande de lojas que compram ouro, com uma agressividade comercial muito forte, servindo- se de uma publicidade exagerada e por vezes enganosa, disputando entre si todos os gramas disponíveis.

 

Perante estes dois fenómenos e com o apoio de notícias e opiniões que surgem diariamente na comunicação social, os portugueses aproveitam como sendo a ultima oportunidade para venderem os seus objectos de ouro.

 

Diariamente são convertidos em euros aqueles objectos que foram durante muitos anos lembranças do passado familiar, peças herdadas, ofertas de casamento, de baptizado, aniversários, etc.

 

Estes grandes e pequenos tesouros familiares depois de convertidos em euros serviram para liquidar dívidas, pagar propinas e livros escolares dos filhos, contribuir para o pagamento das prestações do carro e da casa, pagar contas da luz e água e também alguns gastos supérfulos.

Milhares de quilogramas de ouro foram vendidos e derretidos nestes últimos meses que foram convertidos em milhões de euros novamente introduzidos na economia nacional, e porque não dizer, mundial. 

 

Muitos milhões que foram bem recebidos pelas várias economias e foram um balão de oxigénio nesta crise que nos persegue.

Foram as jóias e ficaram os dedos.

Será que ainda há mais jóias?

 

publicado por Carlos Tavares às 15:08
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