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VALOR REAL

Notas de um Perito e Avaliador de Artigos com Metais Preciosos e Materiais Gemologicos. Os meus estudos, investigações e avaliações sobre algumas das minhas paixões: ourivesaria, numismática, pedras preciosas, ...

O momento para o renascer...

06.04.20 | Carlos Tavares

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Segundo Darwin, “os organismos mais bem adaptados ao meio têm maiores chances de sobrevivência do que os menos adaptados, deixando um número maior de descendentes. Os organismos mais bem adaptados são, portanto, selecionados para aquele ambiente." Num clima de medo e incertezas que vivemos presentemente estamos a ter uma reação perfeitamente natural, procurando garantir as nossas necessidades básicas: a segurança, alimentação, saúde e a defesa da nossa família e património. Este estado emocional não nos permite despertar para outras emoções, inibindo-nos de sonhar, de fazer projetos a médio-longo prazo e de assumir certos compromissos. Para além disso, vemo-nos obrigados a enfrentar um clima de adaptação e aprendizagem a uma nova realidade, num novo mundo e numa nova consciência da sociedade. Iniciamos um processo de criação de uma nova mentalidade assente noutros paradigmas, de novos padrões comportamentais e também de redefinição de prioridades e objetivos. Surgem, ainda, novos sinais e lições que devemos saber interpretar. Num mundo assente no conceito de globalização, estamos a aprender que não podemos, nem devemos ficar reféns de um cliente, de um fornecedor, de um país ou de um continente. Estamos perante uma oportunidade para o renascimento de uma nova Europa, mais forte, mais solidária, que defende e protege a sua economia e a sua identidade, promove e defende os seus recursos, as suas capacidades, o seu conhecimento e o seu património. Uma Europa disponível, mas não refém. Nesta nova realidade, as economias locais e regionais foram as primeiras a responder de acordo com as necessidades. Reinventaram-se e souberam ir ao encontro dos desafios e dos que estão mais próximos, com um espirito solidário e de missão, defendendo a sua comunidade. Os mercados locais, o comércio de rua e as pequenas indústrias tomaram prontamente decisões difíceis mas corajosas e foram fundamentais no apoio prestado às suas comunidades. Os mercados também se adaptaram por necessidade de obedecer às novas regras e a um novo ecossistema onde a disponibilidade, a capacidade de gerar mudanças, o respeito pela sociedade e pelas suas necessidades foram os catalisadores desta transformação. Será que, após esta fase, estaremos mais sensíveis a viver a vida com mais intensidade, valorizando as artes e experienciando o processo criativo? Será que estaremos mais abertos a respeitar e valorizar o mestre artesão e todo o seu saber? Será o momento para o renascer das jóias “Made in Portugal”, em contraponto com as importações de má qualidade, sem valor acrescentado? Assistiremos a uma revalorização da jóia intemporal, que atravessa o tempo, ao invés do consumo da peça descartável com tempo e durabilidade definida? Acredito que será pedido muito mais respeito pelos recursos naturais e sentida uma profunda vontade de recuperar memórias e legados. Novos modelos de negócio vão surgir assentes em experiências e em recuperação de técnicas e desenhos. Penso, ainda, que vamos estar novamente sensíveis a entender a jóia como uma reserva de valor, associada a uma história de família, a um momento importante da vida que vamos cuidar e querer deixar para a geração seguinte. A figura do Mestre, do artesão, do detentor do know-how, bem como o respeito pelo mesmo, pelas suas experiências e técnicas serão muito reconhecidos. As marcas sentirão a necessidade de criar e ter esta figura perante um cliente que vai querer conhecer as pessoas, os artistas e quem está por trás da organização. O processo produtivo, os recursos humanos, as origens das matérias primas e o respeito pela comunidade terão de estar disponíveis e serem transparentes. Perante uma enormidade de oportunidades, num novo mercado com novas regras, mais sensível a pequenos detalhes que transformam o bom em excelente e com muito mais respeito pela humanidade. Não podemos mudar os ventos mas está ao nosso alcance mudar as velas para aproveitarmos o vento que nos levará ao nosso rumo. Chegou a hora de nos adaptarmos a este novo meio!

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