Terça-feira, 12 de Maio de 2009

Custódia de Belém

Uma das mais importantes obras da ourivesaria portuguesa vai voltar já no próximo dia 18 (dia internacional dos museus) a estar exposta no Museu Nacional de Arte Antiga, numa vitrina em condições de segurança, com humidade e temperatura optimizadas.

 

Esta obra prima da ourivesaria portuguesa foi criada em 1506 pelo ourives e dramaturgo Gil Vicente por encomenda do rei D. Manuel I.

O Rei pretendeu homenagear a nossa senhora de Belém pelas vitórias alcançadas na conquista de novos mundos, e oferecer esta peça ao mosteiro dos Jerónimos, construído na praia de Belém, local de onde partiam as caravelas.

 

A custódia tinha um peso aproximado de 7 quilos de ouro, sendo este proveniente da costa oriental de África, do tributo anual do rei indígna Quiloa como prova de vassalagem ao rei português.

 

Após o regresso vitorioso da segunda viagem de Vasco da Gama à India, este entregou 1500 miticais, em moedas ouro de bom teor que foi confiado a Gil Vicente  e durante três anos, aplicou o seu saber e arte na mais bela peça da ourivesaria portuguesa.

 

Originalmente com 76 cm de altura , composta por uma base com as esferas armilares e armas do rei era suporte para um hosteário de cristal ladeado pelos 12 apóstolos e duas cúpulas para suportar a terceira peça encimada por uma cruz.

 

Um trabalho  complexo  de inspiração gótica, com muitos elementos decorativos, muito detalhe e pormenor que utilizava o esmalte policromado.

 

Em 1620 a histórica custódia foi alterada, retirando-lhe  o hósteário de cristal, que foi substituído por outro em prata dourada, elevaram-na em 10 cm e acrescentaram 993 g de prata em ajustes e alterações.

 

Durante mais de 400 anos assim se manteve e só no início do século XX, e depois de um exaustivo trabalho de investigação, procedeu-se dentro do possivel  ás alterações necessárias para voltar à forma original.

 

Recentemente voltou a ser restaurada por especialistas pois estava a sofrer grandes problemas de conservação que ameaçavam  sua integridade.

 

Este restauro rigoroso obrigou a custódia a ser totalmente desmontada e permitiu um estudo muito cuidado a todos os seus elementos e pormenores.

 

Deste estudo irá ser públicado um livro acerca do restauro da cústodia, com os resultados da investigação em curso, um contributo muito importante para conhecermos melhor esta obra prima de Gil Vicente.

 

Fontes: Museo Nacional de Arte Antiga, livro "História das Marcas e Contrastes" de Maria Nogueira Pinto.

publicado por Carlos Tavares às 22:30
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